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Palavra ao doente | 13 de maio de 2019

Meu irmão e minha irmã que te encontras doente.

Neste momento em que Jesus está presente na Eucaristia, é habitual partilharmos contigo uma palavra de consolo e de conforto em nome da igreja que somos, neste Santuário de Fátima.

Deste vez porém, venho partilhar contigo, que estás aqui, ou que nos acompanhas pelos meios de comunicação social, o que aprendemos convosco. Sim, o que aprendemos convosco, com o vosso sorriso sereno, apesar da doença; com o vosso olhar de paz, apesar das dores e da angústia, da solidão que a situação de doença pode trazer.

Convosco, que vos encontrais doentes, aprendemos a amar e a confiar em Deus, apesar das circunstâncias difíceis da vida.

Como o exemplo daqueles três jovens, de que nos fala o livro de Daniel do AT, prestes a morrerem queimados, numa fornalha ardente. Diziam: sabemos que Deus nos pode livrar deste fogo mas, ainda que não o faça, não teremos outros deuses…

Vós, com o amor e entrega com que viveis a situação de doença e de sofrimento em que vos encontrais, tornais vivas as palavras daqueles jovens! É como se nos dissésseis: sabemos que o Senhor nos pode curar, mas ainda que o não faça, é nele que continuamos a confiar. Sabemos que o Senhor nos pode livrar desta doença, mas ainda que o não faça, nós continuamos a amá-lo!

Quanta maturidade de fé encontramos em tantos de vós, que vos encontrais doente. Pode ser que, aqui em Fátima, tenhas aprendido a generosidade da Jacinta. Impressiona quando a ouvimos dizer à Lúcia: “Olha, diz a Nossa Senhora que sofro tudo… sofro tudo para converter os pecadores, pela paz no mundo, pelo Santo Padre.” Sim, é este amor a Jesus e a quem sofre que dá um horizonte maior à tua vida marcada pela dor.

E quando vos vemos a sofrer em silêncio, sem vos queixardes, penso que aprendestes com o Francisco, a guardar no silêncio do coração de Deus, algumas dores que só Ele pode entender…

E ainda que vos sintais tristes, ou estejais a viver um momento de aparente sem sentido, de desânimo ou de solidão, gostaria de vos dizer que contamos com a intercessão da irmã Lúcia… Nos seus escritos, fui encontrando uma frase que a irmã Lúcia repetia algumas vezes, perto de cada dia 12 e 13 de maio: “Sei que muitos peregrinos vão a caminho de Fátima cantando, rezando e fazendo penitência. Espiritualmente vou com eles, oro com eles, canto com eles e uno ao seu sacrifício o meu…” […] “uno-me às orações de todos e de cada um [dos peregrinos], pedindo para todos um aumento de fé, de esperança e de amor, a cura para os doentes, a paz para as suas consciências…”.

Que consolação saber que os Santos Pastorinhos e a Serva de Deus Lúcia de Jesus, nos acompanham agora do céu, intercedendo por cada um de vós, que vos encontrais doente.

Já bastante idosa, e também ela doente, a Lúcia escreveu:

“O Coração Imaculado de Maria é o meu refúgio e o caminho que me conduzirá até Deus…”

Aqui está: é a vida da minha alma, a força do meu coração, e a alegria do meu peregrinar sobre a terra”.

Meu irmão e minha irmã que te encontras doente, sabemos que somos amparados pelo teu testemunho de fé vivida no sofrimento, sentimo-nos fortalecidos pela entrega da tua vida. Assim, com profunda gratidão rezamos para que esta certeza, de que és acompanhado pela Senhora de Coração Imaculado, seja “a vida da tua alma, a força do teu coração e a alegria do teu peregrinar neste terra”, ainda que doente.

Ângela de Fátima Coelho, asm

Palavra ao doente, 13 de maio de 2019